Uma noite de delírios

26 de março de 2017 0 Por Diego C. Melo

Pouco mais de um ano depois, Roberta Sá volta a Recife com sua turnê Delírio no Circo, e como prometido, leva os fãs ao total delírio.

Com uma pontualidade britânica e munida de uma voz marcante e extremamente afinada, Roberta Sá subiu ao palco do Teatro Guararapes às 21h10 deste sábado e, durante uma hora e meia, mostrou mais uma vez porque é tão querida e venerada por críticos, fãs e colegas de profissão do calibre de Chico Buarque e Ney Matogrosso.

Com um show recheado de sambas, a cantora passeia desde clássicos como “Covardia” e “Cicatrizes” a músicas exclusivas para seu álbum, como “Me Erra” (Adriana Calcanhotto), “Amanhã é Sábado” (Martinho da Vila) e “Boca em Boca” (Roberta Sá e Xande de Pilares). A temperatura elevada, que foi mantida majestosamente durante todo o show, foi uma surpresa para aqueles que esperavam o clima morno apresentado no disco “Delírio”, lançado em 2015.

Contudo, apesar da enorme simpatia e qualidade vocal de Roberta Sá, alguns pontos não foram tão positivos. Sabe aquele show em que o público é um espetáculo à parte? Definitivamente esse não era o espírito da maioria das pessoas que foram prestigiar a cantora potiguar. O que foi visto foi uma plateia estática, aguada e completamente desestimulante, não por falta de esforço de Roberta, que por diversas vezes pedia para que batessem palmas e cantassem. Ao conversar com alguns dos fãs presentes, ficou claro que o sentimento geral foi de uma enorme vergonha alheia. Além disso, o show não foi nenhuma surpresa para quem já havia assistido ao DVD homônimo, uma vez que a cantora se ateve a seguir a mesma setlist já imortalizada no disco.

Ao final do show, como é de praxe, Roberta Sá recebeu todos os que ficaram aguardando para poder passar uns minutinhos com ela e conseguir uma foto ou um autógrafo. Mesmo com um grande sorriso estampado no rosto, a cantora comentou sobre a passividade da maioria dos presentes e disse que gostaria que as pessoas tivessem interagido mais.

Nota: 8,5

Por Mari Lins

Revisado por Thalles Amaro