Últimas notícias sobre o coronavírus e a crise política no Brasil e no mundo

Últimas notícias sobre o coronavírus e a crise política no Brasil e no mundo

6 de junho de 2020 0 Por Diego C. Melo

Ministéerio da Saúde atrasa boletim sobre mortes e infecções pelo coronavírus mais uma vez, e omite os números de óbitos e contaminados. OMS se desculpa por confusão em torno dos tratamentos com hidroxicloroquina. Bolsonaro pede que polícia aja em protestos e chama ativistas de “maconheiros”.

O Brasil já conta 35.026 mortos pelo coronavírus e 645.771 infectados, mas foi a população brasileira que teve de somar os números de novos óbitos e contágios aos divulgados até então para chegar a esse quadro, já que o Ministério da Saúde divulgou dados incompletos sobre a pandemia ―de novo com atraso de horas. Estimulado pelo Governo Bolsonaro, vários Estados flexibilizam as medidas de isolamento social e veem subir a curva de contaminação. No Rio de Janeiro, que planeja iniciar a reabertura gradual a partir desta sexta-feira, Ministério Público e Defensoria questionam os planos do Governo do Estado.

Bolsonaro sobre atrasos nos dados do coronavírus: “Não vai correr para atender a Globo, a TV funerária”.

O presidente Jair Bolsonaro comentou nesta sexta-feira, durante entrevista a jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, os atrasos na divulgação dos boletins diários do coronavírus nos últimos dias. “É para pegar o dado mais consolidado”, explicou o presidente. “E tem de divulgar os mortos no dia. Por exemplo, ontem dois terços dos mortos eram de dias anteriores. Tem de divulgar os do dia, o resto consolida pra trás. Se quiser fazer um programa no Fantástico todinho sobre mortos nas últimas semanas, tudo bem”, acrescentou Bolsonaro, alfinetando a Rede Globo e seus telejornais sempre que possível. O presidente também sugeriu que só deveriam ser contadas as mortes que de fato fora causadas pela infecção do coronavírus. “A pessoa tem dez comorbidades, está com 94 anos, e pegou o vírus. Potencializa. Parece que esse pessoal que… O Globo, o Jornal Nacional, gosta de dizer que o Brasil é recordista em mortes. Falta, inclusive, seriedade: bote mortos por milhões de habitantes. É querer comparar mortes no Brasil, que tem 210 milhões de habitanes com países que têm 10 milhões”. Ao ser questionado novamente sobre o atraso, Bolsonaro disse que “ninguém tem de correr para atender à Globo”. “Se ficar pronto às nove, tudo bem, mas não vai correr às seis da tarde para atender à Globo, a tevê funerária”, completou, para os aplausos de seus apoiadores.

Durante a entrevista, o presidente também desaconselhou seus apoiadores de protestar no domingo, quando estão agendadas manifestações contra seu Governo. “Não tenho qualquer ascendência sobre grupo nenhum, mas eu gostaria que o pessoal patriota, conservador, famíla, não comparecesse a evento nenhum domingo”, disse. Questionado sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu que o Brasil lida mal com o coronavírus, Bolsnaro se esquivou. “É meu amigo, é meu irmão. Um abraço, Trump. Torço para que seja reeleito. Trump, aquele abraço!”. O presidente disse ainda que “está faltando a imprensa falar da volta da cloroquina”, mencionando a retratação de um artigo pela revista The Lancet, que levou a OMS a suspender estudos com o medicamento. Bolsonaro sugeriu que o Brasil pode deixar a organização no futuro, a exemplo do que fez Trump. “A OMS é o seguinte: o Trump tirou a grana deles e voltaram atrás em tudo (…) E vou adiantar aqui: os Estados Unidos saiu da OMS, e a gente estuda no futuro. Ou a OMS trabalha sem o viés ideológico ou nós vamos estar fora também”, ameaçou.

via el país brasil