O Atormentado

O Atormentado

31 de outubro de 2016 0 Por Diego C. Melo


Monólogo de Marcelo Serrado é bom, porém elitizado.



Quando um ator resolve desbravar caminhos que não possui domínio completo, está propício a duas vertentes: o fracasso total ou a superação incondicional. Serrado consegue, sem sombra de dúvidas, a segunda opção. Quando entra no palco o público enlouque e logo é jogado em um mar de histórias, que mesmo reais ou não, transporta qualquer um para o meio delas, fazendo o espetáculo ser uma verdadeira montanha russa de humor.

O principal problema é a dificuldade de Marcelo conseguir deixar soar naturalmente as histórias e, por mais que sejam interpretadas perfeitamente, transparecem irreais. Coisas que humoristas, natos ou não, conseguem fazer com maestria. Existiu um pequeno desconforto em cima do palco vindo do ator. Foi perceptível isso no Teatro Rio Mar, com os olhares constantes para o chão.

marcelo-serrado-foto-guilherme-maia-5

O humor utilizado também já soa um pouco repetitivo, o que se sobressai são os termos utilizados. O inglês aqui e ali foge da compreensão de alguns menos preparados ou desavisados e em alguns momentos deixa a plateia cheia de interrogação flutuando em suas mentes.

O Atormentado funciona bem, o que falta apenas é uma maior interação com o público, o que existe até em um determinado momento da peça, aí sim percebe-se uma dinâmica extraordinária de Marcelo Serrado e uma reviravolta acontece perante os olhos de todos. Talvez, se as situações contadas no palco fossem transformadas em encenações com o apoio da plateia, O Atormentado faria do Marcelo um novo showman e já o prepararia para projetos futuros na televisão.

Nota 6

Por Dieguito C. Melo

Revisado por Thalles Amaro

Apoio:  ArtRec

Fotos: Divulgação