Malhação debocha de campanha de abstinência sexual criada pelo governo

Malhação debocha de campanha de abstinência sexual criada pelo governo

14 de março de 2020 0 Por Diego C. Melo

Não é apenas o sumiço de Rita (Alanis Guillen) que movimenta os capítulos mais recentes de Malhação – Toda Forma de Amar. Uma discussão sobre como abordar assuntos ligados à sexualidade para os adolescentes ganhou força após a personagem Diana (Malu Lazari) propor a criação de uma campanha de abstinência sexual pelo grêmio que venceu as eleições no colégio estadual Otto Lara Resende.

Em cenas que foram ao ar no último dia 6, a adolescente diz para Jaqueline (Gabz) que é uma vergonha a proposta do grupo de entregar aos alunos uma cartilha sobre educação sexual e também métodos contraceptivos. “Esse tipo de campanha passa uma imagem errada de que não há nada de errado fazer sexo desde que não resulte em gravidez ou doença”, fala Diana.

Jaqueline rebate a colega dizendo que, se não resulta em gravidez ou doença, e se a relação for consensual e feita entre adolescentes maiores de 14 anos, não há problemas, e que o desaparecimento de Rita deveria ser prioridade entre os alunos da escola.

Diana aproveita a deixa e diz que a mãe biológica de Nina é um ótimo exemplo para a campanha de abstinência sexual, já que, se não tivesse engravidado na adolescência, ela provavelmente não estaria “perdida por aí”.

O debate teve desdobramentos nos capítulos seguintes. Os representantes do grêmio falaram sobre a proposta da campanha conservadora com uma repórter de TV. Nanda (Gabriella Mustafá) disse na entrevista que “já namorou muito” e que relação sexual não existe apenas em relacionamentos sérios. “Eu acho essa campanha maior caretice. Transar é normal, gente”, esbravejou a estudante.

O assunto chegou à direção do colégio. Neide (Quitéria Kelly) comentou com Celso (André Ramiro) que sabia que a campanha de abstinência sexual traria má repercussão, e o colega disse que apoia a ideia de Diana, já que a “sociedade precisa de algumas regras para a convivência ser possível”. A coordenadora, então, afirmou que propor abstinência sexual é uma hipocrisia e que, no fundo, todo mundo pensa como Nanda.

As cenas são uma resposta à polemica campanha criada pela ministra Damares Alves, responsável pelo Ministério de Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do presidente Jair Bolsonaro, que propôs que os jovens não façam sexo como forma de evitar a gravidez precoce na adolescência e as infecções sexualmente transmissíveis.

Essa não é a primeira vez que Malhação – Toda Forma de Amar entra no debate político do país. Há algumas semanas, a mesma Diana tentou censurar alguns livros da biblioteca do colégio, como O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, e também causou a revolta dos alunos.

As cenas foram baseadas na proibição de alguns livros que desagradaram o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella durante a Bienal do Livro, em setembro do ano passado. Uma das obras censuradas, o HQ Vingadores, exibia dois personagens masculinos se beijando na capa. Na época, o STF proibiu a censura.

via rd1