Assim evolui a curva do coronavírus no Brasil e no resto da América Latina

Assim evolui a curva do coronavírus no Brasil e no resto da América Latina

3 de abril de 2020 0 Por Diego C. Melo

O Brasil é o país latino-americano que registra mais infecções por coronavírus. A questão agora é ver em que ritmo evolui a curva de confirmados e de mortes

coronavírus passa por um crescimento exponencial em muitos países. No Brasil, os casos evoluem rapidamente em poucos dias, assim como no Chile, Peru e Colômbia, e questão-chave agora é ver em que ritmo evolui a curva de pessoas contaminadas  com a Covid-19 e a curva de mortes: crescerá de forma acelerada ou se deterá?

O gráfico compara o ritmo da epidemia em todos os países da América Latina que registraram pelo menos 20 casos confirmados desde o início de cada surto. A escala pode ser natural ou logarítmica (em que a distância de 1 a 10 é a mesma que de 10 a 100). Mas a segunda captura melhor a natureza de uma epidemia: multiplica-se. Os dados são da Universidade Johns Hopkins (EUA) e os gráficos se atualizam a cada dia (leia mais abaixo sobre a metodologia).

Aqui você pode ver a evolução dos casos do novo coronavírus confirmados em países que registraram pelo menos 20 em um dia:

Na Espanha e na Coreia do Sul, cresceram a uma taxa considerável a princípio. Mas sua evolução depois mostra que o futuro de cada país pode ser diferente: enquanto na Espanha as infecções continuam se acelerando, no país asiático estão desacelerando. Se a curva de um país segue uma linha reta no gráfico logarítmico, sabemos que o número de doentes dobra periodicamente. No caso da Espanha, por exemplo, onde as medidas de confinamento ainda não eram consideradas. Na Coreia, por outro lado, a inclinação é cada vez menor e as infecções diminuem.

É importante entender que estamos falando de casos confirmados. Estamos medindo dois fenômenos ao mesmo tempo: o aumento real dos infectados em cada país e a capacidade de detectá-los por parte das autoridades. No início de um surto é comum ocorrer um pico temporal nos casos confirmados à medida que o ritmo dos testes se acelera.

Surtos em cada país

O Brasil é o país latino-americano que registra mais infecções por coronavírus. Mas o ritmo em que os casos crescem é, no momento, semelhante em vários países: as curvas são uma linha reta em uma escala logarítmica.

Os tempos de duplicação

O gráfico seguinte mede o ritmo dos surtos em cada país. Para fazê-lo usamos o que é conhecido como “tempo de duplicação”. Ou seja, o número de dias em que os casos confirmados estão duplicando. É um dado que pode flutuar no início, mas que parece convergir para uma cifra em torno dos três dias. Enquanto a pandemia crescer a essa velocidade, isso significa que, se houver 4.000 casos em um sábado, devemos prever cerca de 8.000 na terça-feira e 16.000 no fim de semana seguinte.

Reduzir a transmissão de vírus

O tempo de duplicação não é imutável. Um vírus tem um potencial contagioso que depende de sua natureza e do hospedeiro –as pessoas. Mas uma epidemia é ao mesmo tempo um fenômeno social: seu desdobramento depende de como nos comportamos. Por isso existem quarentenas, o fechamento de escolas e o trabalho pela Internet. São medidas de distanciamento social que reduzem os contatos entre as pessoas e limitam a transmissão do vírus.

Em 7 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a todos os países “que prossigam com os esforços que têm sido eficazes para limitar o número de casos e impedir a propagação do vírus”. Dias depois, as intervenções se multiplicaram na Europa e em todo o mundo. No Estado de São Paulo, que concentra o maior número de casos no Brasil, a quarentena foi adotada em 24 de março. Se essas medidas forem bem-sucedidas, veremos aumentar o tempo da epidemia para que os casos dupliquem.

Foi o que aconteceu na China e na Coreia do Sul. Lá, os casos começaram a dobrar a cada dois ou três dias durante a primeira semana do surto, mas passadas duas semanas seu tempo de duplicação já havia baixado para mais de dez dias.

O que você pode fazer para ajudar?

Medidas como o cancelamento de eventos e o fechamento de escolas são úteis para limitar a transmissão de vírus, “mas as mudanças individuais são ainda mais importantes”, explica Caitlin Rivers, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. “O objetivo é reduzir as oportunidades de transmissão: ao tocar, tossir, espirrar. Nossas ferramentas são a distância social, ficar em casa se estiver doente, lavar as mãos quando chegar em casa ou no trabalho, depois de tocar uma superfície em que muitas pessoas tocam, antes de comer ou antes de se encontrar com uma pessoa vulnerável”.

A letalidade do vírus

A letalidade do vírus parece considerável. No total, de 3% a 4% das pessoas que sabemos que contraíram a doença morreram, segundo a OMS. Mas esse cálculo é uma medida imprecisa da verdadeira letalidade, que certamente será menor. O principal motivo é a falta de detecção: há pessoas que adoecem com Covid-19 com sintomas leves e, se fossem detectadas, a letalidade seria menor. É o que sugerem as cifras da Coreia do Sul, que está realizando mais testes do que outros países e relata uma mortalidade mais baixa, de 0,6%.

Não é uma gripe. Os dados atuais dizem que o coronavírus é mais contagioso e mais letal que a gripe, que se estima que mata 0,13% ou 0,16% dos pacientes (I, II). Além disso, o novo vírus acrescenta outro problema: a falta de imunidade. O especialista em RNA viral Adolfo García-Sastre, pesquisador do Hospital Monte Sinai de Nova York explica: “Ninguém tem imunidade contra este vírus, por isso vai infectar muito mais pessoas do que a gripe sazonal, o que significa que se tem a mesma letalidade que a gripe, os casos absolutos serão muito maiores, e Isso vai ser um desafio para o sistema hospitalar”. 

via el país