Ariano Suassuna ganha musical pelos 90 anos de seu nascimento

Ariano Suassuna ganha musical pelos 90 anos de seu nascimento

19 de setembro de 2017 0 Por Diego C. Melo

Com canções inéditas de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, Suassuna – O Auto do Reino do Sol cumpre temporada no Teatro Guararapes dias 3 e 4 de novembro

 

Em celebração aos 90 anos do nascimento de Ariano Suassuna, a companhia Barca dos Corações Partidos buscou uma história original para refletir o universo do escritor paraibano. Suassuna – O Auto do Reino do Sol é ambientada num picadeiro circense, lugar significativo para o dramaturgo, que se confessava um palhaço frustrado. Após aclamada estreia, em junho, no Rio de Janeiro, o musical chega ao Recife para dupla apresentação, dias 3 e 4 de novembro, no Teatro Guararapes, numa produção local da Art Rec Produções. Ingressos já estão à venda a partir de R$ 25 (serviço abaixo).

Com canções de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, encenação de Luís Carlos Vasconcelos e texto de Bráulio Tavares, o espetáculo conta a história de uma trupe de circo que viaja pelo Sertão à procura da Vila de Taperoá, onde irá se apresentar em uma festa em homenagem a Ariano Suassuna. É um momento de euforia para Sultana, a dona do circo, e os artistas Cabantõe, Chico de Rosa, Escaramuça, Mosquito, Poeta León, Tenha Medo e Tinha Graça. Sem conhecer a estrada, eles se perdem e acabam se aproximando do vale O Soturno, onde os retirantes da seca estão construindo um arraial para viver em paz. Aquela região é dominada por dois clãs inimigos e poderosos: a família da matriarca Eufrásia Fortunato e a do major Antonio Moraes, o vilão do Romance d’A Pedra do Reino. E o Sertão está mais uma vez em pé de guerra, já que Lucas Fortunato e Iracema Moraes se apaixonam e resolvem fugir, desafiando o ódio entre as duas famílias.

O projeto sempre quis falar de Ariano, mas sem caráter biográfico ou mesmo uma adaptação de suas obras. “Quando entrei na história, já estava decidido que não seria um espetáculo Armorial e teríamos a liberdade de subverter. A criação foi toda impregnada de Ariano, de seus personagens e de seu universo”, relata Luís Carlos Vasconcelos, que trouxe toda a sua imensa bagagem como palhaço para o processo. “É uma homenagem ao Ariano palhaço. O público é guiado por uma espécie de Palhaço Mestre de Cerimônias, como era habitual em seu teatro”, diz.

CONSTRUÇÃO – O texto e as canções do musical foram produzidos ao longo dos ensaios, que começaram ano passado, quando o elenco fez uma série de oficinas circenses e uma excursão pelos locais que marcaram a vida de Ariano. A construção musical seguiu o mesmo caminho. Os textos poéticos e as letras das músicas usam as formas tradicionais de poesia popular, que foram cultivadas pelo escritor, como a sextilha, a décima, o martelo e o galope. Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho mostravam as melodias e algumas letras surgiam de improviso, outras cabiam exatamente em alguns trechos do texto. A maioria das letras ficou a cargo de Bráulio Tavares, mas também tem canções de outros integrantes da companhia, como Adrén Alves e Renato Luciano. “Contaminação é a palavra que define todo o projeto. As melodias foram contaminadas pelas letras e vice-versa. Criamos algo novo, mas totalmente contaminado por Ariano”, analisa Chico César, a quem o dramaturgo chegou a dedicar um livro de poesias.

PROJETO – A idealização e produção são da Sarau Agência, sob o comando de Andrea Alves, que também ficou responsável pelos festejos dos 80 anos de Ariano e desde então criou um vínculo com o escritor.  “Há algum tempo, ele me falou: não venha comemorar meus 85 anos, eu não vou morrer, quero que você festeje os meus 90. Naquele momento, me senti condecorada e com uma grande missão pela frente”, conta a produtora. A ideia inicial surgiu em conversas de Andrea com Ariano, que elegeu o palhaço de O Auto da Compadecida como um dos seus personagens prediletos. “Logo imaginei uma grande homenagem a essa figura tão simbólica para ele e pensei na reunião da Barca dos Corações Partidos com o que eu chamo de “trio paraibano” (Bráulio Tavares, Luiz Carlos Vasconcelos e Chico César). Assim criamos essa peça inédita, com músicas e texto originais, mas totalmente inspirada no legado de Ariano”, resume.

BARCA DOS CORAÇÕES PARTIDOS – A escolha de Ariano Suassuna foi também coerente com toda a trajetória da companhia, fiel defensora de um repertório nacional e de um teatro que privilegia o intercâmbio de linguagens. O grupo se formou no processo de Gonzagão – A Lenda (2012), celebração de outro ícone nordestino, Luiz Gonzaga, e logo em seguida reviveu um clássico de Chico Buarque Ópera do Malandro (2014), ambos com direção de João Falcão. Chico César, Bráulio Tavares e Luís Carlos Vasconcelos assistiram aos trabalhos e aceitaram na mesma hora o convite para participarem da nova empreitada.

Indicação Prêmio Cesgranrio nas categorias:

Espetáculo -> Suassuna – O Auto do Reino do Sol

Direção -> Luiz Carlos Vasconcelos

Direção Musical -> Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del-Penho

Figurino -> Kika Lopes e Heloisa Stocker

Cenografia -> Sérgio Marimba

Iluminação -> Renato Machado

Texto Nacional Inédito -> Bráulio Tavares

Ator em Musical -> Adrén Alves, Alfredo Del-Penho e Renato Luciano

Ficha técnica:

Uma encenação de Luiz Carlos Vasconcelos
Texto: Bráulio Tavares
Música: Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho
Idealização e Direção de Produção: Andrea Alves

Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros.

Atriz convidada: Rebeca Jamir
Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune

Cenografia: Sérgio Marimba
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Kika Lopes e Heloisa Stockler
Design de som: Gabriel D’Angelo
Assistente de direção: Vanessa Garcia
Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
Produção Executiva: Rafael Lydio

SERVIÇO
“Suassuna – O Auto do Reino do sol”
Dia 3 de novembro (sexta), às 21h

Dia 4 de novembro (sábado), às 20h
Teatro Guararapes – Centro de Convenções de Pernambuco

Informações: (81) 3182.8020

Classificação: 12 anos
Duração: 120 minutos

Ingressos: 
Plateia: R$ 104 (inteira) e R$ 52 (meia)

Balcão: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

* À venda na bilheteria do teatro (segunda a sexta, das 9h às 17h; sábado, das 9h às 13h), loja da Ticketfolia e www.eventim.com.br   

*via assessoria